O difícil caminho percorrido na busca de uma gramática pessoal levou-me ao encontro dos elementos gráficos de clara inspiração geométrica que são visíveis na decoração de objetos de uso cotidiano e ritualístico, assim como também no próprio corpo de nossos ancestrais indígenas. Não será um exagero afirmar que a linha curva, com a sua carga de sensualidade e sua proximidade com imagens próprias da natureza, referida aqui como paisagem, estão praticamente ausentes dessa abordagem. Os índios brasileiros cultivaram o gossto pelas formas simplificadas e estabeleceram uma linguagem capaz de expressar o seu universo simbólico por meio de um sofisticado código de formas geométricas.

Não é portanto de se estranhar que o artista brasileiro tivesse se voltado para o mundo que se acha entranhado na sua memória cultural, valendo-se desses elementos como fonte na luta pela conquista de uma linguagem individual. As formas exploradas no meu trabalho correspondem a uma ideologia que tem suas raízes em dois pólos> o da tradição estética dos povos fundadores de nossa nacionalidade e o da busca permanente de valores plásticos capazes de fixar a nossa identidade cultural, impressa numa linguagem com trãnsito universal.

Reconheço que há nessa intenção uma dose importante e permanente de dedicação atenta ao contexto onde se insere a minha realidade sócio-político e cultural. Logo, estou entre esses artistas que buscam uma inserção no universo erudito, o que implica estar antenado com a produção do meu tempo, não apenas no campo das artes visuais mas de toda e qualquer manifestação criativa. Como esclarecimento adicional, digo que um caminho talvez capaz de desvendar o trânsito dos meus interesses pode ser a simples leitura dos títulos que atribuo a cada trabalho. Porém, antes de tudo, é bom deixar claro que o nome da obra é mero indicativo de sua existência e individualidade, mas que, no meu trajeto, é também um registro, uma espécie de diário de bordo.

Ao avançar nestas notas, vou me dando conta de que, de certa maneira, estou cainda na cilada que acaba por vitimar todo esforço de explicação para uma empresa como o propósito singelo de fazer a crônica de um processo criativo. Por isso sinto-me incluído entre esses artistas que, ao iniciar um trabalho, não têm outro objetivo senão o de livrar-se dele o mais rápido possível e que, ao serem chamados a justificar-lhe a origem e desenvolvimento, se vêem obrigados a recorrer a fórmulas insatisfatórias, o que me remete à condição de um pobre mágico que para revelar um truque se vale de outro.

Na verdade, não existe uma fórmula mágica para o entendimento mesmo que parcial do processo de criação. Estamos diante de um abismo que nos seduz e alucina. Mágico é, portanto, o espaço branco, vazio que nos desafia, atrais e por vezes rejeita. Nesse limite, nossos cúmplices jogam um papel fundamental, pois cabe ao espectador - grupo no qual se insere também o próprio autor diante da obra terminada - refletir sobre a função do artista, sua habilidade e talento na organização do caos.

2016 - ESPAÇO CULTURAL DA UFF, Niterói/Agora e Antes - EMBAIXADA DO BRASIL, Monróvia/Now and then 2015 - OFFICINA INTERIORES, Natal/Obras recentes - CENTRO CULTURAL, Montes Claros/4 Geométricos 2014 - GALERIA MARCANTONIO VILAÇA, Bruxelas/A Fantasia Exata - MATIAS BROTAS ARTE CONTEMPORÂNEA, Vitória/Diálogos Geométricos - ARTMARK, Viena/3 brasilienische geometriche künsters - CASA-MUSEU MEDEIROS E ALMEIDA, Lisboa/A Fantasia Exata 2013 - KATARA CULTURAL CENTER, Doha/The Four Colors of Brazil - JORDANIAN CULTURAL CENTER, Amã/The Precise Fantasy - ART PURE, Riade/The Precise Fantasy - MUSEU INIMÁ DE PAULA, Belo Horizonte/A Fantasia Exata 2012 - RABIN AJAW, Centro Cultural Banco do Brasil-Rio de Janeiro/Museu Nacional- Brasília/ Museu Inimá de Paula-Belo Horizonte 2011 - ESPACIO CULTURAL-Embaixada do Brasil, Buenos Aires/Permutaciones - ESPAÇO ELIANA BENCHIMOL, Rio de Janeiro 2010 - CENTRO CULTURAL-Embaixada do Brasil, Assunção/Grabados Brasileños del Siglo - MUSEU NACIONAL, San José/Grabados Brasileños del Siglo XX - CLAUSTRO SOR JUANA, México/Grabados Brasileños del Siglo XX - STEINER GALLERY, Viena/Four Geometrical Brazilian Painters - BRAZILIAN EMBASSY, Daca/Four Geometrical Brazilian Painters - BRASILEA STIFTUNG, Basel/Die präsenz von Max Bill 2009 - ZICHYHO PALAC, Bratislava/Brazilian Art on Paper - BRASILEA STIFTUNG, Basel/Brasilianische Kunst auf Papier - PATRICIA COSTA GALERIA DE ARTE, Rio de Janeiro - CAPITANIA DAS ARTES, Natal/ O mágico aprendiz - CENTRO CULTURAL DA EMBAIXADA DO BRASIL, Assunção - GALERIA DIE AUGEN, Guatemala 2008 - MUSEUM OF YOUNG ART, Viena/Brazilian Art on Paper - SEGIB, Madri/Grabados Brasilenos del Siglo XX - PALÁCIO MALDONADO, Salamanca - MUSEU NACIONAL, San José da Costa Rica - CCBB, Rio de Janeiro/O Tempo sob Medida 2007 - CASA-MUSEU MEDEIROS E ALMEIDA, Lisboa - PALAIS KHEREIDDINE, Túnis - MUSEUL NATIONAL DE ARTA CONTEMPORANÃ, Bucaresti - ROBERT MORRIS GALLERY, Chicago - CAIXA CULTURAL, Curitiba/A Lição do Amigo – Retrospectiva - CCBB, Rio de Janeiro/BB e Artes Gráficas 2006 - UNIVERSITY OF SOUTH AFRICA, Pretoria - FUJIYA GALLERY, Tóquio - REFERÊNCIA GALERIA DE ARTE, Brasília - CCBB, Rio de Janeiro/Mozart 250 2004 - PATRICIA COSTA GALERIA DE ARTE, Rio de Janeiro - CAIXA CULTURAL, Brasília/A Lição do Amigo – Retrospectiva 2002 - CENTRO DE ESTUDOS BRASILEIROS, Assunção - CORRIENTE ALTERNA, Lima - CENTRO DE ESTUDOS BRASILEIROS, Paramaribo/The Last Ten Years 2001 - MUSEO DE ARTE CONTEMPORANEO LATINOAMERICANO, La Plata 2000 - BRAZILIAN EMBASSY GALLERY, Nova Delhi - MUSEO DE LA REVOLUCIÓN, Havana 1999 - MABE SPACE, Tóquio 1998 - SANDRO’S GALLERY, Harare - INSTITUTO BRASILEIRO EQUATORIANO DE CULTURA, Quito 1997 - MUSEU DE ARTE MODERNA, Rio de Janeiro - GB Arte, Rio de Janeiro 1990 - ICARO ROOM, Nova York - GALERIA BONINO, Rio de Janeiro 1989 - GALERIA OSCAR SERAPHICO, Brasília - GALERIA MANOEL MACEDO, Belo Horizonte - BRAZILIAN-AMERICAN CULTURAL INSTITUTE, Washington DC 1988 - GALERIA BONINO, Rio de Janeiro 1987 - PALAZZO PAMPHILJ, Roma - BRAZILIAN ART CENTER, Londres - EMBAIXADA DO BRASIL, Haia - GALERIA DE ARTE DA UFF, Niterói 1986 - GALERIA BONINO, Rio de Janeiro 1985 - GALERIA ÁTICA, Buenos Aires 1981 - GALERIA BONINO, Rio de Janeiro - CENTRO DE ESTUDOS BRASILEIROS, Santiago - GALERIA KARLEN GUGELMEIER, Montevidéu 1980 - CENTRO DE ESTUDOS BRASILEIROS, Assunção 1979 - GALERIA KARLEN GUGELMEIER, Montevidéu - GALERIA PRAXIS, Buenos Aires 1974 - I SALÃO GLOBAL DA PRIMAVERA, Brasília 1973 - FUNDAÇÃO CULTURAL DO DISTRITO FEDERAL, Brasília 1968 - GALERIA ÂNGELUS/TEATRO DA PAZ, Belém 1966 - XV SALÃO NACIONAL DE ARTE MODERNA, Rio de Janeiro - I BIENAL FLUMINENSE, Niterói 1964 - GALEIRA SCALA, Niterói/7 Pintores Fluminenses 1963 - GALERIA BANGALÔ, Niterói

O artista em seu atelier em Petrópolis, ensaio de Ricardo de Hollanda.

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